"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha
de ser honesto".

(Rui Barbosa)


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domingo, 12 de setembro de 2010

Preciosidade

Valéria tem olhos de medo
como o dos pássaros
pequenos e frágeis.

Há agitação
sob as camadas
de sua plenitude
alva.

Cabelos e plumas se confundem
no lume
que vejo
e que imagino...

Valéria
fala pouco
mas olha muito.

Pra mim, basta.

E sigo, besta
a escrever muito
e falar pouco.

Ah, se nossos silêncios
se tocassem...

(Fabio Rocha)

domingo, 5 de setembro de 2010

Me ame…

Maittah colucci

Não ame pela beleza,pois um dia ela acaba...não ame por admiração,pois um dia você se decepciona...Ame apenas,pois o tempo não pode acabar com um amor sem explicação...é tão bom ter...é como o sol, uma nuvem pode cobri-lo, mais apagá-lo jamais

 

domingo, 11 de julho de 2010

O último poema – Manoel Bandeira

O último poema

Manoel Bandeira

Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

domingo, 23 de maio de 2010

No meio do caminho

No nosso momento poesia desse domingo, um dos poemas mais conhecidos de Carlos Drummond de Andrade.

 

No meio do Caminho

Carlos Drummond de Andrade.

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

domingo, 16 de maio de 2010

Contemplando o lago

Fernando Pessoa

Contemplo o lago mudo

que uma brisa estremece

não sei se penso em tudo

ou se tudo me esquece

O lago nada me diz

não sinto a brisa mexê-lo

não sei se sou feliz

nem sei se desejo sê-lo

Trêmulos vincos risonhos

na água adormecida

por que fiz eu dos sonhos

a minha única vida?