"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha
de ser honesto".

(Rui Barbosa)


domingo, 22 de maio de 2011

Sangria desatada

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

Com maioria cuja fortaleza é celebrada de norte a sul, de leste a oeste, espanta que o governo precise recorrer a estratagemas típicos de oposição para evitar uma derrota em plenário, como fizeram os líderes governistas na Câmara dias atrás ao obstruir a sessão e derrubar o quórum para a votação do novo Código Florestal.

É igualmente espantoso que, com toda sua capacidade de aniquilar a oposição que fez a história do mito Lula, o PT no poder necessite recorrer a expedientes exorbitantes para impedir que requerimentos de convocação do ministro Antonio Palocci sejam postos em votação, correndo a trancafiar salas para evitar reuniões de comissões na Câmara e mandando o guarda da esquina atrás de deputados a arrancar cartazes das paredes da Casa.

Assim como é intrigante que toda lisura existente no processo de enriquecimento do ministro da Casa Civil nos últimos quatro anos em que esteve deputado federal necessite da contratação de serviços de emergência em comunicação e mobilização do governo inteiro numa operação dita de contra-ataque.

Ou essa maioria não é aquilo tudo o que se diz ou o crescimento do patrimônio de Antonio Palocci não está tão acima de qualquer suspeita como alegam seus defensores, que há dias tentam dar o caso por encerrado a golpes de gestos truculentos e de retórica falaciosa.

Evento esvaziado

Segundo o Blog do Wanterlor, o Encontro Municipal do PT, realizado no sábado, 21, nas dependências do Centro Universitário de Parauapebas não foi lá essas coisas. Há inclusive a pulga atrás da orelha de que a máquina tenha mexido os pausinhos para esvaziar o evento.

Tapajós e Carajás - a guerra nem começou

Do Blog do professor Manuel Dutra

A comparação é desproporcional, mas é válido lembrar Mao Tse-Tung quando disse que a revolução não é um banquete. Quem pensa - se há alguém pensando assim - que a institucionalização dos Estados do Tapajós e do Carajás são favas (quase) contadas, está redondamente enganado.


Podem ser criadas estas duas novas unidades, e devem ser criadas, mas os envolvidos na luta, de modo particular os partidários da separação, devem ter claro na cabeça que isso é e será dificílimo. Não digo impossível, mas a guerra ainda nem começou, a despeito de alguns tiros já disparados.

Primeiro, devem refletir que nenhum dos 26 Estados brasileiros foi criado dessa maneira, por um misto de ação parlamentar e movimento popular. O que mais se aproxima é Tocantins, instituído pelos constituintes de 1988, fruto de uma movimentação dos congressistas-constituintes sob a liderança do futuro multi-governador Siqueira Campos, que chegou a fazer greve de fome na Praça dos três Poderes, em Brasília.

Os demais foram criados por atos discricionários que vão do Imperador Pedro II (Paraná e Amazonas), passando por Getúlio Vargas (os Territórios Federais hoje Estados) até o general presidente João Figueiredo, que cortou ao meio o Estado do Mato Grosso. Atos autoritários, portanto, contra os quais não houve ou não se manifestou oposição, por óbvias razões.

Aí está a dificuldade histórica que remonta ao Descobrimento, com a criação das capitanias hereditárias, depois repartidas em sesmarias, que pariram o latifúndio que ainda está aí, lépido e fagueiro, consagrado pelo viés centralizador do poder central brasileiro e pelo patrimonialismo territorial subjacente à histeria e ao descontrole emocional, o que dá no mesmo, que invade a alma das elites tradicionais quando se fala em reorganização do território.

Até parece que dividir, reunir, incorporar território dentro da Federação é coisa do diabo, inconstitucional, é como separar-se do Brasil, criar um outro país. Ao contrário, pleitear novos municípios e novos Estados é tão constitucional quanto pagar imposto de renda.

As outras dificuldades contemporâneas são conhecidas e, por conhecidas, não podem passar despercebidas: estas dificuldades vêm desde Brasília até o município de Óbidos. O governo federal é contra e tudo fará para impedir o andamento do processo do plebiscito. A maioria dos congressistas, especialmente a imensa bancada paulista e de outros Estados são contra. O governo do Pará, naturalmente contrário, já está pondo em prática um arsenal que, em caso de haver mesmo plebiscito, só não contará com bomba atômica, mas o resto valerá!

E os empresários de Belém? Aqueles com raízes familiares e históricas aqui são contra e já se movimentam. Porém há outros, entre eles alguns também com antigas raízes aqui, estão na moita, como aliás se revela o "patriotismo" e o "regionalismo" de todo empresário, cuja pátria se encontra onde se encontram as oportunidade de aumentarem o seu capital.

O Grupo Yamada, por exemplo, já comprou meio mundo de imóveis dentro da cidade de Santarém, inclusive o antigo estádio de futebol, além de terras na BR-163, estocando, certamente, recursos para um provável futuro, a despeito de Fernando Yamada ter-se proclamado contra a conclusão da BR-163 e a criação do Estado. Mas isso ele disse faz tempo...

No varejo, há as dificuldades existentes no próprio interior da região Oeste do Pará. Em Óbidos, por exemplo, o jornalista Ronaldo Brasiliense, pretenso candidato a prefeito, prega o voto "não" no plebiscito, caso este se realize. Se ele se sente seguro para essa pregação é porque há quem o ouça. Mas Óbidos tem bronca histórica contra Santarém, desde os tempos idos em que aquele bela cidade da margem esquerda do Amazonas foi o mais importante porto entre Belém e Manaus, e sede de um importante grupamento militar de atalaia contra imvasores estrangeiros.

A desconfiança é velha também entre outros municípios da margem esquerda, onde há pessoas que alegam que o nome "Tapajós" não lhes respeito, está longe, etc. O que não deixa de ser verdade, embora isso não passe de uma desculpa para a velha aspiração de Óbidos de se tornar também sede de uma entidade autônoma.

Além do mais, a pergunta: quando o projeto do Tapajós sairá do Senado? O que acontecerá quando, e se, chegar à Câmara? Há possibilidade de fazer o plebiscito só do Carajás? Aí a derrota é certíssima, pois só existe alguma chance de o plebiscito ser favorável às duas entidades se as duas entrarem na mesma consulta popular. O projeto do Tapajós empacou na Câmara por causa da estupidez de aumentarem absurdamente o tamamnho do território, chegando a quase 60% do Pará inteiro, fazendo crescer, dessa forma, a raiva do governo e dos políticos paraenses opostos à divisão.

E tem mais e muito mais: as manobras parlamentares, os recursos que irão ao infinito no STF até minutos antes de começar a votação do plebiscito. Como se sabe, o STF ainda nem decidiu quais são as áreas "diretamente" interessadas. Vai decidir quando? A decisão vai favorecer o viés histórico: fica tudo como está, nada muda. E tem a campanha que, se houver, será feroz e num nível que é fácil de prever o que será dito na televisão e no rádio.

Como se percebe, a guerra está só no começo. Para os adeptos da criação dos Estados do Tapajós e do Carajás há um longo, a "very long, long, long way to run...". O banquete, se ainda for nesta geração, já tem o cardápio, esse que está aí acima.

Mas, para consolo dos que esperam o dia da festa, lembro o que disse um natural adversário da divisão territorial, mais ou menos com estas palavras: Sou contra a criação do Estado do Tapajós (não se falava ainda do Carajás), mas sei que ele será criado um dia, seja neste século, seja no próximo". Quem assim falou foi o empresário e político paraense de Marabá, mas que sempre viveu em Belém, Oziel Carneiro, em artigo no jornal O Liberal, há cerca de 25 anos, pouco tempo depois que ele tentou, sem êxito, ser governador do Pará. Ele falou ainda no século 20 e já estamos no 21.

Canção agreste

Marcel Nogueira

Corrente do ribeirão,
vida andante sem fim
já não tem andado tanto,
o tempo passa, no entanto,
ela continua aqui...

Força maior do que o tempo,
volta a acender os sentidos.
Uma canção sofrida demais,
que se espalha nos campos gerais
nada mais...

Que uma sinfonia
que renasce igual semente
tão agreste, tão purgente
ninguém vê
que as esperanças vão morrer
quando a canção de amor,
qual flor de girassol
na noite emudecer.

Charge

sábado, 21 de maio de 2011

Plebiscito do Tapajós será votado dia 25

Brasília - A realização de plebiscito sobre a criação do Estado do Tapajós está na pauta da reunião da próxima quarta-feira (25) da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado. O Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 19/99, do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), foi aprovado na Câmara em forma de substitutivo.

O relator da proposta na CCJ, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), deu parecer favorável à aprovação da proposta, que prevê consulta à população sobre a separação da parte oeste do Estado do Pará para a criação do novo estado. O Congresso já aprovou projeto semelhante que prevê um plebiscito sobre a criação do Estado de Carajás, no sudeste do atual território paraense.

Reforma política
Na reunião de terça-feira (24), os senadores também devem fazer a leitura das primeiras propostas elaboradas pela Comissão da Reforma Política, como a proposta de emenda à Constituição (PEC) 37/11, que reduz o número de suplentes de senador de dois para um, e a PEC 40/11, que proíbe coligações partidárias nas eleições proporcionais.

Ainda consta da pauta da CCJ o exame do Projeto de Lei do Senado (PLS) 41/11, que altera o Código Eleitoral (Lei 4.737/65), estabelecendo que os suplentes de senador sejam os outros candidatos mais bem colocados no pleito, em número de dois para cada titular. Hoje cada candidato a senador já forma chapa com dois suplentes.

A reunião da CCJ na quarta-feira (25) está marcada para as 10 horas, na Sala 3 da Ala Alexandre Costa. (Paola Lima / Agência Senado)

Coronel Monteiro em Marabá

O tenente -coronel Sebastião Monteiro, que durante muito tempo foi comandante do quartel da Polícia Militar de Parauapebas acaba de assumir o comando do 4º BPM de Marabá.

Mesmo de longe, o blog deseja sucesso ao competente militar.

Furto na escola João Prudêncio

De terça para quarta, arrombadores, aproveitando a escuridão fizeram um limpa na escola Joao Prudêncio de Brito, no bairro Primavera.

Não escaparam do "baculejo" nem a merenda escolar e um botijão de gás que foi subrtraído.

No dia seguinte a merenda foi à base de frutas.

Audiência em Canaã - Bekão diz que não foi diferente

Luz, Câmeras, AÇÃO!


Um aparato policial, UTI Móvel, dentre outros, tudo para dar suporte a uma ‘medíocre’ Audiência Publica objetivando ‘discutir’ o Ramal Ferroviário Sudeste do Pará que aconteceu na ultima quarta-feira, (18), na Escola Futuro Educacional Êxito, em Canaã dos Carajás.

O real sentido da audiência ficou em segundo plano, pois o que se tornou evidente foi à condição de superioridade imposta pela mineradora, VALE diante da fragilizada população de Canaã dos Carajás, com o aval do representante do IBAMA que ao invés de agir com ‘imparcialidade’, se mostrou um defensor dos interesses da mineradora durante o transcorrer de toda audiência.

Atitudes desprezíveis e até certo ponto irresponsáveis podem ser atribuídas à parte interessada, mineradora VALE que não disse a que veio, não respeitando direitos, daqueles moradores que residem nas áreas afetadas pela construção da ferrovia, querendo adquirir apenas partes das propriedades, forçando uma venda futura a preços irrisórios, diante das praticadas pelo mercado imobiliário.

Enfim o publico que se fez presente a Escola Futuro Educacional Êxito, certamente não saiu satisfeito com a forma que representantes da mineradora, VALE e IBAMA conduziram a reunião, tentando intimidar os presentes, não expondo abertamente os benefícios da ferrovia, sendo que apenas teria utilidade para o transporte de minérios, sequer existem condicionantes que possam vir a beneficiar nosso município.

Ouvimos, ouvimos, não fomos ouvidos, sequer tivemos os direitos respeitados, agora seremos obrigamos a ‘engolir’ as decisões da VALE, apenas...

Acesse o www.blogdobekao.blogspot.com

Matutu disse

Matutu disse:
"Vou usar da prerrogativa de ser matutu e fazer um comentário. A CVRD que nunca respeitou prefeito desta vês não será diferente, o tal ramal vai sair, como este prefeito e um banana e o PT e uma titica, e a oportunidade dos tais prefeitaveis mobilizarem a população e peitarem a Vale. Esta empresa só atende as reivindicações quando mexem no seu lucro, seu patrimônio etc e tal, mas o que não da para entender é que os tais prefeitaveis permanecem num silencio profundo. Hei Walmir Mariano, Zé Reinaldo, Maguilliano, e outros, vocês tem relações comercias com a VALE por isto estão calados? Olha estamos atentos".

Nota - O Matutu anda pessimista demais para o meu gosto.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ele não sabe o que é isso

Na audiência pública, ocorrida ontem, 19, o vereador Israel Barros, o “Miquinha” disse que a Vale teria que dar contrapartida ao município para passar o ramal ferroviário pelo perímetro urbano, “o prefeito não pode ter a responsabilidade disso”, disso. Foi o que bastou para um cidadão emendar: “é claro que não pode ter responsabilidade, ele não sabem nem o que é isso”.

Denúncia

Atenção que essa é séria. Funcionários do setor de Radiologia do Hospital Municipal de Parauapebas (HMP) denunciam mudança na sua carga horária. Segundo a denúncia, os servidores concursados, por sinal, passaram de 96 horas, para 120 horas mensal de trabalho. Segundo consta, três funcionários (um da Funasa e dois da OSCIP Bem Viver teriam cargas horárias diferenciadas, o que fere o princípio da isonomia da Constituição Federal, no seu artigo5º.

Deve-se dizer que segundo a Lei Federal nº 7.394/85 a carga horária dos técnicos de Radiologia é de 24 horas semanal, que totalizariam 96 horas mensal. Dois detalhes: 1) os denunciantes tem escalas e folhas de pontos para comprovar. 2) a situação discriminatória e irregular vem desde setembro de 2010.

Encontro

Hoje (20) a partir das 14 horas acontecerá o IV Seminário dos Assistentes Sociais de Parauapebas, intitulado “Serviço Social, Compromisso de Classe, por uma Sociedade Emancipada”. O local o encontro é o auditório da Câmara Municipal.

Câmara instala CPI para investigar prefeito

Um recurso muito utilizado em outros parlamentos, o de esvaziar o plenário para obstruir uma pauta indesejada foi utilizado nesta terça-feira. (17).

O plenário lotado de populares, que acompanha semanalmente o trabalho do Legislativo viu apenas os quatro vereadores de Oposição, Antônio Massud (PTB), Francis Resende (PMDB), Adelson Fernandes (PDT) e Faisal Salmen (PSDB), além do presidente da Casa, Eusébio Rodrigues ocuparem os assentos no plenário, enquanto os vereadores da base governista, Odilon Roca de Sanção (PMDB), Raimundo Vasconcelos (PT), Israel Barros, o “Miquinha” (PT), Zé Alves (PT), Wolner Wagner (PSDC) e Percília Martins (PRTB) não compareciam ao plenário.
Apesar da tentativa de obstrução, a CPI foi instalada e a gora só falta a escolha dos membros.

Estratégia –O objetivo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) é a investigação das denúncias presidente demissionário da Vale, Roger Agnelli, que numa revista de circulação nacional e para reportagem da Folha Online ele afirmou que a Vale repassara para a prefeitura de Parauapebas R$ 700 milhões nos últimos cinco anos e que os recursos tinham sido usados indevidamente. Agnelli também se referiu a quantias milionárias pagas a um escritório de advocacia de Santa Catarina.

Apesar de ser minoria na Câmara, os vereadores da oposição tinham como certa a instalação da CPI. O Regimento Interno da Casa determina que 30% dos votos dos vereadores são suficientes para a instalação de uma CPI, ou seja, quatro assinaturas eram suficientes para deflagrar a investigação.

Com a pauta obstruída, os vereadores presentes apenas usaram a tribuna, o que acabou frustrando a assistência. Massud explicou porque assinara a CPI. “Essas informações nós tínhamos conhecimento porque ela é de conhecimento geral, tanto que o presidente da Vale denunciou”, disse, o vereador do PTB, que listou um lista de empresas que teriam faturado perto de R$ 50 milhões de 2010 para cá, “nos processos constam que esses serviços são de pavimentação e abertura de estradas, mas ninguém vê obras de pavimentação, salvo as operações tapa-buracos”.

Faisal também usou a palavra e disse que a instalação da CPI era uma necessidade porque as denúncias eram muito graves.

Francis Resende estranhou a ausência dos vereadores da base e enumerou as razões porque assinara a CPI, “minha filha que estuda fora, sempre vem aqui ele pergunta porque a classe política não gosta de Parauapebas. A minha assinatura deixa claro que eu gosto de Parauapebas”.

O vereador Adelson chegou a dizer que os vereadores tinham responsabilidade e que fugir do plenário não adiantaria muito, “faltar as sessão é passível de punição”.
No final a CPI foi instalada e deve começar os trabalhos nos próximos dias.

População diz não para o Ramal Ferroviário

Por essa nem os mais céticos esperavam. A audiência pública ocorrida na noite de ontem (19), nas dependências da escola Chico Mendes revelou que a população não quer nem ouvir falar em ramal ferroviário.

Praticamente todas as manifestações externadas no auditório do colégio foram contra a passagem do ramal ferroviário no perímetro urbano.

A audiência pública – Cercada de muitas expectativas, a audiência pública recebeu um público de mais de 600 pessoas. Estudantes, líderes comunitárias, lideranças políticas e cidadãos comuns pessoas compareceram e participaram ativamente.

Depois da explanação, levada a cabo por funcionários da Vale e das possibilidades de geração de emprego, começou a fase de debates.

O primeiro a se manifestar foi o ex-vereador Wanterlor Bandeira, que enfatizou que o município não ganharia nada com o ramal ferroviário, ao contrário, a estrada ferro que ligará o projeto S11D, em Canaã à estação ferroviária de Parauapebas será extremamente danosa à vida da cidade.

A mesma opinião teve o professor Leônidas Mendes, que mostrou por meio de números o lucro de R$ 11 bilhões da mineradora nos primeiros três meses de 2010. “Apesar do lucro com o minério de ferro, a Vale se recusa a um investimento de um campus universitário para 15 cursos, no valor de R$ 84 milhões”, disse, revelando que com a implantação do ramal, o município receberia uma população de cerca de 35 mil novos habitantes, ocasionando um novo fluxo migratório.

Faisal Salmen também falou em compensação. Para o vereador do PSDB, além da universidade, fábricas de equipamentos e beneficiamento teriam que fazer parte das condicionantes para que houvesse a concessão.

Na mesma linha, os vereadores Israel Barros e Adelson Fernandes se declaram contra o ramal ferroviário. Adelson lamentou que a audiência não fosse deliberativa. Para ele, se o ramal for construído, prejudicará o município.

Marden de Lima também lamentou a ausência do prefeito e defendeu outras audiências para que a população pudesse ter acesso às informações dos impactos ambientais e sociais que a linha de ferro traria para a cidade. No final ele se declarou terminantemente contra.

Cláudio Feitosa, que fora componente de uma comissão formada para avaliar os impactos e propor soluções para a possibilidade da implantação do ramal ferroviário recorreu ao argumento dos lucros da Vale nos últimos anos, “boa parte dos lucros da mineradora é proveniente da exploração do ferro, o que nós queremos é que a empresa se sensibilize e nos ajude a criar uma nova matriz econômica, que poderia ser a de um polo de conhecimento com uma universidade tecnológica, um hospital universitário para cursos de medicina, farmácia, enfermagem”, disse, acrescentando que a contrapartida proposta pela Vale era de apenas R$ 12 milhões, o que gerou muitos apupos para a companhia.

No final, o que ficou claro foi a imensa insatisfação da população com relação a Vale, entretanto, se valer o comportamento dos últimos tempos isso não deve incomodar a companhia, que não tem a preocupação de agradar o município, do qual ela retira a maior dos seus lucros.
A boa notícia foi de que o prefeito Darci Lermen teria desistido de dar a concessão para o ramal ferroviário pelos R$ 20 milhões que foram noticiados no HOJE. Ao que parece, a opinião pública pesou na decisão.

A importância dos grupos

A cinco meses da data-limite para a filiação dos que pretendem se candidatar a cargos eletivos nas eleições de 2012, o que se vê é uma paradeira só.

Considerando que o fim das coligações proporcionais está na bica de ser aprovado no Congresso, o que praticamente inviabilizaria a vida eleitoral de partidos considerados nanicos, teríamos então, por assim dizer, uma briga de cachorro grande. O duro é que os tais cachorros grandes não estão se preparando e cinco meses na política é um piscar de olhos.

Com exceção de uns poucos partidos, que não perderam a estrutura ao longo do tempo, como por exemplo, o PT, favorecido pelo poder e pela tradição de movimentar as bases, pouca coisa sobrou. Fora disso, o que existem são iniciativas recentes das diretorias de alguns partidos, visando 2012, mas é uma coisa pontual.

Nesse processo de restruturação, PTB e PP estão saindo na frente. Se as eleições fossem hoje, a tendência é que esses partidos elegessem pelo menos três vereadores, cada. O problema é que o “se” não faz parte da política e até outubro de 2012 muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte.

O PTB tem um bom grupo, no qual não há um favorito destacado, o que abre a possibilidade de uma eleição com uma quantia razoável de votos, algo em torno de 1.200. Mesmo sem a presidência da Câmara e da secretaria de Urbanismo, o presidente Massud tem se saído muito na articulação. Como é bastante homogêneo, o partido é um atrativo para as que lideranças que querem se eleger. Se não perder ninguém, o PTB terá um time de respeito; se perder, ainda assim será interessante.

Outro partido que se movimenta é o PP, principal aliado do PT. Além de ter o vice-prefeito, o partido conta com duas secretarias (Esporte e Urbanismo). Nos últimos dias, a legenda trouxe para seus quadros nomes de pesos e busca outros. O presidente Roque Dutra sabe que quem sabe faz a hora.

O PDT também passa a ser atrativo, principalmente pelo fator Valmir. Como o empresário está em alta, muitos pretensos candidatos a vereador gostariam de estar ao lado de um protagonista, entretanto, o partido deve se mexer, pois corre o risco de ter um desequilíbrio, ou seja, um candidato a prefeito forte, e um grupo de candidato a vereador que deixa a desejar.

Apesar de esse ser um período de aquecimento, é nesse momento que se percebe quem terá garrafa vazia pra vender. Nesse cenário, PMDB e PSDB devem se cuidar. Até agora não se viu quase nenhuma movimentação desses partidos.

Os dois partidos apresentam carências de militância, sinal de que não está havendo movimentação suficiente. Existem os chamados medalhões, mas faltam os medianos, que são importantes na construção do quociente eleitoral. O PSDB, por exemplo, é o partido do governador, o que em tese significa que deverá vir forte, entretanto, como disso anteriormente, isso é apenas em tese.

(artigo publicado no HOJE 458 - Coluna do Marcel)

HOJE - 458


Com não poderia deixar de ser, o HOJE trata da audiência pública e da repercussão negativa do empreendimento da Vale, de passar o ramal ferroviário pelo perímetro urbano. A inauguração do Unique Shopping Parauapebaas também é destaque.

Terça-feira, na sessão - cadeiras vazias


A estratégia do líder do governo, Odilon Rocha desgastou os vereadores da situação, que não apareceram na sessão. No final, saiu o gasto pela despesa. Os vereadores não apareceram, as cadeiras ficaram vazias e mesmo assim, a CPI contra Darci foi instalada.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

CPI instalada

Em conversa com Massud, o blog ficou sabendo que a CPI para investigar o desvio de R$ 700 milhões já está devidamente instalada, faltando apenas a escolha dos nomes que irão compor a comissão.

Pelo visto, a ausência dos vereadores da base governista na sessão de terça-feira não adiantou muito.

Massud na Arara Azul

Daqui a pouco, o vereador Antônio Massud (PTB) será o entrevistado do radialista Demerval Moreno, na Rádio Arara Azul. Massud vai à emissora com uma calhamaço de documentos spbre desvios de recursos, empresas que faturaram os tubos em 2010 e 2011. Se derem linha na pipa, não vai sobrar pedra sobre pedra.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Charge

Vereadores de Jacundá visitam Câmara de Parauapebas

Os Vereadores do município paraense de Jacundá, localizada no Sudeste do estado, visitaram a Câmara Municipal de Parauapebas, na manhã desta quarta-feira (18). Lindomar dos Reis Marinho (PT), Presidente da Câmara Municipal de Jacundá, a Vereadora Rosa Maria Mulato de Souza (PSB) e o Tesoureiro Adalto Nunes conheceram melhor a estrutura da Casa e da Biblioteca Legislativa "Sônia Cortês" na companhia do Presidente Euzébio Rodrigues (PT). Segundo Lindomar Marinho, é importante estreitar o relacionamento entre as Câmaras para que ambas as Casas troquem experiências para melhorar ainda mais o trabalho do Legislativo.
Fonte: Assessoria de Imprensa CMP

Desportias na Câmara pela quarta vez

Na sessão de terça-feira desportistas ligados ao secretário de Urbanismo, Roque Dutra voltaram a ocupar as dependências da Câmara pela quarta vez. Esforço em vão. Por conta da obstrução da pauta por parte dos vereadores da situação, o requerimento que pede prestação de Contas da Liga Esportiva não entrou em votação.

Tem gente que acha que tudo não passa de armação.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Anedota

Nas rodas do coquetel do Unique Shopping uma anedota. O prefeito Darci, que apareceu lépido e fagueiro primeiro teria se certificado que Roger não iria, "então tá, eu vou".

Como se sabe, depois das últimas, os dois não escovam os dentes com a mesma escova.

Por 20

O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, multiplicou por 20 seu patrimônio em quatro anos. Entre 2006 e 2010, passou de R$ 375 mil para cerca de R$ 7,5 milhões, informa reportagem de Andreza Matais e José Ernesto Credendio na Folha. Segundo Palocci, o avanço do patrimônio ocorreu com rendimento de consultoria. Sei...

Darci no coquetel do Unique Shopping

Parecia que o prefeito Darci havia perdido o rumo de casa, depois do oceano de denúncias da semana passada, mas para surpresa de muitos, o gestor deu as caras no coquetel de inauguração do Unique Shopping Parauapebas, hoje, a partir das 19 horas.

Depois de muito termpo Darc circulou e até deu entrevistas e... não foi vaiado. Gente civilizada é outro departamento.

Roger Agnelli volta a acusar Darci Lermen

(Folha Online)

Cinco dias antes de deixar o cargo, o presidente da Vale, Roger Agnelli, disse ontem que enviou à presidente Dilma Rousseff uma carta em que aponta indícios de suposto desvio de royalties da mineração por parte da prefeitura de Parauapebas (735 km de Belém), administrada por Darci José Lermen (PT).

Agnelli escreveu a Dilma, em março, para informar que a Vale e outras mineradoras foram autuadas por supostamente terem diminuído o repasse da CFEM (compensação pela exploração de recursos minerais) --tributo conhecido como "royalty da mineração".

Na carta, revelada por reportagem da revista "Época" publicada na semana passada, ele diz que a disputa entrou num "contexto político" após prefeituras contratarem consultores para arrecadar "altos e teóricos valores que não são devidos".

Agnelli confirmou o conteúdo da carta ontem, ao inaugurar o complexo Onça Puma, o primeiro projeto de exploração de níquel da Vale no país, situado em Parauapebas, Ourilândia do Norte e São Félix do Xingu, no Pará.

O executivo deixa o cargo no fim desta semana, desgastado com o governo do PT.

Na carta, ele citou como exemplo do suposto esquema a cidade de Parauapebas. O município foi responsável por 73% de todo a CFEM arrecadada no Pará em 2010.

Ontem, Agnelli disse que os valores que Parauapebas ganhou com os royalties desde a década de 1980 não parecem ter sido aplicados em benefício da comunidade.

O Ministério Público do Pará e o Tribunal de Contas dos Municípios investigam se houve desvio.

O prefeito de Parauapebas negou irregularidades e disse, por meio de nota, que o dinheiro arrecadado "foi aplicado em obras e serviços, de acordo com as normas constitucionais".

A Presidência da República confirmou que recebeu a carta. Segundo o Planalto, ela foi enviada para o Ministério de Minas e Energia. Ainda segundo a Presidência, a questão entre a Vale e as prefeituras é "judicial".



17/05/2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

As diabruras do Palocci

Nos últimos quatro anos como deputado federal, Antonio Palocci, Chefe da Casa Civil da presidência da República desde janeiro, multiplicou por 20 o valor do seu patrimônio, segundo reportagem publicada ontem pela Folha de S. Paulo.

O que tinha em 2006 valia R$ 375 mil, conforme consta de sua declaração à Justiça Eleitoral.

Há um ano comprou um escritório em área nobre da capital paulista por R$ 882 mil.

Pouco antes de virar ministro, e na mesma cidade, comprou um apartamento de luxo por R$ 6,6 milhões.

Como deputado, em quatro anos, recebeu em salários R$ 974 mil, brutos.

O que fez Palocci enriquecer tão rapidamente?

Resposta dele: serviços de consultoria por meio de uma empresa que criou e da qual foi dono de 99% das ações.

Quais foram seus clientes?

Palocci não revela.

Quanto recebeu de cada um deles?

Palocci não diz.

Qual a natureza da consultoria prestada?

Palocci é vago.

Seus clientes tinham negócios com o governo?

Palocci não responde.

Seus clientes passaram a ter negócios com o governo depois que lhes deu consultoria?

Palocci silencia.

Servidor público comum é proibido de exercer cargo administrativo em empresa privada.

Servidor público eleito (parlamentares, governadores e prefeitos), pode - salvo em empresas de comunicação. E por motivos óbvios.

Em casos assim, o político dribla a proibição da lei e repassa a parentes ou a testas de ferro a tarefa de administrar seus jornais, emissoras de rádio e de televisão. Desde que o beneficiem, é claro. E prejudiquem seus adversários.

Até prova em contrário, Palocci é um político honesto, e agora rico. Mas que passou a dever explicações ao distinto público.

Se não oferecê-las ou se elas não forem convincentes, passará à condição de político honesto, rico, mas sob suspeita.

É o mínimo – ou não é?

Coquetel

Amanhã às 17 horas coquetel de apresentação do Unique Shopping Parauapebas.

domingo, 15 de maio de 2011

CPI vem aí

Protocolado pedido de CPI na Câmara de vereadores. O assunto é investigar a denúncia feita pelo presidente demissionário da Vale, Roger Agnelli à revista Época. Agnelli fala em 700 milhões de reais que foram pelo ralo na administração de Parauapebas, além de pagamentos indevidos para um escritório de advocacia.