"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha
de ser honesto".

(Rui Barbosa)


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Moradores do Nova Vida II pedem ajuda a vereadores



Localizado nas proximidades do Complexo Esportivo e fazendo divisa com o bairro Bambuí, o Nova Vida II é uma conjunto de edificações de madeira numa área não recomendada para moradia. Além da insalubridade de um antigo lixão, o local é cercado de uma encosta íngreme. Ruas semi abertas, poeira e centenas de barracos de madeira ajudam a compor o cenário de abandono, no qual famílias inteiras se submetem a morar em local inadequado para fugir do aluguel.

Ocupando a localidade há mais de dois anos, enfrentando as inúmeras tentativas da prefeitura de retirá-los de lá e às vezes a ação da polícia, os moradores vão resistindo.
Na última sexta-feira, a pedido dos moradores, o bairro recebeu a visita dos vereadores Faisal Salmen (PSDB), Antônio Massud (PTB), Francis Resende (PMDB) e Adelson Fernandes (PDT). Os vereadores que compõem a bancada de oposição da Câmara foram observar in-loco os problemas vividos pela comunidade.

Numa área de montanhas, com lixo recém-aterrado, cerca de 800 famílias vivem em condições precárias e lutam para conseguir um terreno para chamar de seu.
Reunião - A reunião com a comunidade, ocorrida num galpão no alto da elevação contou com centenas de pessoas e com o presidente da Associação de Moradores, Francisco da Silva, o “Doutor”, que defendeu a ideia da derrubada de todos os barracos que se localizam na encosta para que sejam construídos na área do lixão. Segundo ele, “esse foi o acordo feito com o pessoal da prefeitura porque o morro é área de preservação ambiental”, disse.

A posição do presidente da associação foi de encontro com o sentimento da comunidade que sonha com a doação de uma área definitiva pela prefeitura. Doutor diz que a prefeitura prometeu um área, mas exige que as residências da encosta sejam retiradas. “Não adianta derrubar minha casa e reconstrui-la na área do lixão porque depois ela também vai ser retirada de lá”, disse um morador.

Na reunião de sexta, a vereadora Francis Resende salientou que a parte baixa da localidade também representava perigo, “não podemos esquecer que nessa área funcionava um lixão, que sofreu aterro, mas é inadequado para moradia, de modo que não vejo sentido reconstruir as edificações nesse local”, disse.

O vereador Massud afirmou que o objetivo da visita dos vereadores era hipotecar apoio aos moradores, que empurrados pela necessidade, tinham ocupado a área, “a nossa função é verificar pessoalmente a situação da comunidade, ela sabe que pode contar com o nosso apoio. Nós não aceitaremos arbitrariedade, ações ilegais ou chagar aqui com a polícia para tirar ninguém a força”. Massud citou o caso da localidade da Chácara das Nuvens, onde a solução foi costurada com o apoio dos vereadores de oposição, “hoje aquela população aguarda a entrega de lotes, isso pode acontecer aqui”, disse.

No uso da palavra, o vereador Faisal Salmen afirmou que mesmo que o prefeito prometesse algum benefício, a promessa deveria ser vista com reservas, “alguém aqui é capaz de dizer uma promessa que o prefeito fez e cumpriu?”, perguntou o parlamentar.

Faisal orientou a população a não sair do local. ‘‘Vocês só saírão daque se for para ir para um lugar melhor. Nós vamos ficar a disposição de vocês, caso haja alguma ação de retirada, sem ordem judicial, basta nos telefonar”.

População reclama - Apesar de o discurso do presidente da entidade transparecer que tudo estava sob controle, o que se pôde notar é que há uma profunda insatisfação da comunidade com a sua gestão.

Em entrevista, a moradora Genilda Lima Andrade afirmou que Doutor tentara esvaziar a reunião com os vereadores, “ele disse que ninguém deveria comparecer e aqueles que estivessem presentes na reunião teriam os nomes retirados do cadastro”. A moradora disse que o presidente ainda dissera que os vereadores eram da oposição e que galinha que acompanhava pato morria afogada.

O valor da contribuição para a associação também é motivo de reclamação. Maria do Carmo diz que a mensalidade de R$ 20,00 deveria ser paga por quem já tem terreno. “Parei de pagar porque nunca me deram um terreno, sou mãe de quatro filhos e não tenho como pagar aluguel”, diz.

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